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Queda nas Importações Chinesas: Impactos Globais e Reflexos no Brasil

As importações da China registraram uma queda inesperada de 8,4% nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, contrariando a expectativa de crescimento de 1% prevista por economistas consultados pela Reuters e divulgado amplamente. Paralelamente, as exportações chinesas cresceram apenas 2,3%, bem abaixo da alta de 10,7% observada em dezembro, evidenciando a desaceleração do comércio exterior da segunda maior economia do mundo. Esses dados, divulgados pela agência alfandegária chinesa, refletem os impactos sazonais do Ano Novo Lunar e, principalmente, a escalada das tensões comerciais entre China e Estados Unidos.

Um dos principais fatores que contribuíram para esse cenário foi a decisão do governo norte-americano de impor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses. A justificativa da administração Trump para essa medida foi a suposta falta de ação efetiva da China no combate ao fluxo do opioide fentanil – medicamente muito potente para dor. Essa nova barreira tarifária afetou diretamente a dinâmica comercial, interrompendo os esforços de exportadores chineses que buscavam antecipar suas remessas antes da aplicação das restrições. Além disso, a produção industrial também sofreu impactos, uma vez que muitos trabalhadores chineses interromperam suas atividades para celebrar o Ano Novo Lunar, que ocorreu entre 28 de janeiro e 4 de fevereiro.

A queda nas importações chinesas, segundo especialistas, pode ser interpretada como um movimento estratégico de Pequim para reduzir a compra de commodities essenciais, como grãos, minério de ferro e petróleo bruto, enquanto se prepara para enfrentar mais um ciclo prolongado de disputas comerciais com os EUA. O economista sênior da Economist Intelligence Unit, Xu Tianchen, sugere que essa retração pode estar relacionada à decisão da China de construir reservas estratégicas dessas matérias-primas, minimizando a dependência externa e fortalecendo sua posição em futuras negociações comerciais.

O impacto dessa desaceleração comercial da China reverbera globalmente, especialmente em países que dependem da demanda chinesa para sustentar suas economias exportadoras. O Brasil, como um dos principais fornecedores de commodities para a China, pode sentir os reflexos dessa retração nas importações chinesas. O setor agrícola, especialmente a soja e o milho, pode enfrentar desafios diante da redução da demanda. O mesmo se aplica à mineração, já que a China é o maior comprador do minério de ferro brasileiro. A menor compra desses produtos pode pressionar os preços internacionais, afetando diretamente a balança comercial brasileira.

Além disso, a desaceleração das exportações chinesas também pode impactar o fluxo global de mercadorias e a cadeia de suprimentos, elevando a volatilidade nos mercados e aumentando a incerteza para empresas que dependem do comércio internacional. Para os players do comércio exterior, acompanhar de perto os desdobramentos dessa guerra comercial e ajustar suas estratégias de exportação e importação torna-se fundamental para mitigar riscos e identificar oportunidades em meio a um cenário de instabilidade.

Diante desse contexto, a SCL Contrade reforça a importância de um planejamento estratégico eficiente para empresas que atuam no comércio exterior. A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo exige uma análise constante das mudanças regulatórias e tarifárias para garantir competitividade e sustentabilidade nos negócios internacionais.

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